terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Meros desabafos

Já gritei, já chorei, já cometi loucuras, já senti arrependimento, já quis fugir, já me senti sozinha no meio de multidões, já me senti insignificante, já fracassei, mas nunca, nunca desisti dos meus objectivos, e jamais o irei fazer. Nunca desisti do que sabia que valia a pena, nunca fiquei calada quando sabia que havia mais para dizer, nunca chorei por quem não merecia na sua própria frente, nunca fugi por mais que o quisesse. Eu sei, sei que não sou perfeita, até porque isso é desumano, e longe de mim querer sê-lo, mas também sei que poderia algumas vezes agir de maneira diferente. Cometi erros imperdoáveis, loucuras que mudaram a minha vida para sempre, disse coisas que jamais diria agora, magoei, feri, fui injusta, fui bruta, mas como já disse, eu sou imperfeita, e digo desde já que estou a kilómetros da perfeição. Quero pedir desculpa a todos os que já magoei, a todos com quem já fui injusta, peço desculpa por todos os meus erros, porque sei que um dia poderá ser tarde de mais para me lamentar. Apesar de tudo isto, sei que tenho todos os que posso chamar de "melhores amigos" comigo, e eu amo-os muito. Digo, também, desde já, que as amizades não têm a ver com o seu tempo de duração, mas sim com a sua força, e eu sei bem do que falo. Pessoas que há meses, sim, há meses, eu mal sabia da sua existência, hoje não consigo viver sem elas e digo, com todas as certezas, que fazem parte dos meus dias. E é a todos os que têm estado sempre comigo e que já fizeram muito por mim, que eu digo um sincero "obrigada" e que espero um dia poder retribuir tudo, porque afinal, o que seria de mim sem vocês? Amo-vos. 

(Out10)

Não sei

Talvez nada seja assim tão facil.

A cada dia, a cada hora, minuto, segundo, que passa, algo muda. Nem que seja apenas o estado de espírito. Estado de espíritio? Falo por mim, que por mais segundos, minutos, horas, dias que passem, o meu, tem-se mantido. Por vezes camuflado, por vezes não, mas tudo depende.

Tenho me apercebido que aprendemos com cada acção praticada, cada erro cometido, cada conversa, cada momento... E sei também que é com o facto de aprendermos, que nos vamos apercebendo aos poucos do que é afinal a vida.

Definição de "Vida"? Penso que não há, especificamente, uma boa definição. Porquê? Porque depende. Depende do quê? De tudo. Se anotarmos todas as perguntas que temos perante a vida, vamos, aos poucos, percebendo que mesmo sem querermos, todas as questões são respondidas, ou até vão surgindo mais questões.

Mas afinal, de que estou eu a falar? Da vida? Da minha vida? Do que me vai na alma? Sinceramente, nem eu própria sei. Sei, apenas, que tenho tido percepções que preferia ter mais tarde, percepções essas que despertam tanto dor, como alegria.

Tenho visto tudo numa correria, numa correria que passa por etapas de mudança, a cada metro que completa e a cada segundo que passa. Tudo tem mudado, tudo se tem transformado, até os meus pensamentos, as minhas palavras, os meus sorrisos, as minhas lágrimas. A cada dia, ao acordar, algo me vem à cabeça, um assunto que me persegue. Persegue-me 24 horas por dia, 60 minutos por hora, 60 segundos por minuto... Persegue-me. E essa perseguição, rodeada por muitas outras, secundárias, parece não querer acabar, e parece-me também já nem sequer viver sem ela, inspirar sem ela, pestanejar sem ela, que o meu coração bata sem ela. Talvez uma perseguição que se apoderou do meu ser. Perseguição essa que me mudou. Não me sinto em mim, não me sinto a mesma pessoa. Sinto um vazio em mim que parece impossível de preencher, uma mágoa que não me larga, uma incapacidade de largar um verdadeiro sorriso. Sem dúvida, mudei de mundo, pena não ser literalmente. Sinto-me apenas bem no meu mundo, comigo. Procuro obter respostas, mas fracasso, constantemente. Sim, fracasso, a minha vida é feita de fracassos, que sem nunca me ter apercebido, por minha culpa, por actos que não foram em vão. Aliás, nada foi em vão.

Será que mereço? Será, que realmente, eu mereço? Será essa a razão? Vejo, a cada dia que passa, as situações a piorarem, apesar de me confortar e pensar o contrário.

Afinal de contas, a vida, tem-me ensinado que tudo faz parte. As desilusões fazem parte, as lágrimas, por mais secas que estejam, fazem parte, tal e qual como as alegrias e os sorrisos verdadeiros, que pouco têm estado presentes. Pergunto-me quando será que tudo se irá inverter, pergunto-me quando será que um dia acordarei e pensarei "Afinal era tudo um sonho? Os sonhos, afinal, não são assim tão inúteis.". Iria eu ter saudades? Será que ia surgir uma vontade de voltar a repetir o sonho, para tentar perceber todo aquele tormento? Só sei, que o que é certo, é que ainda não acordei, e afinal, é melhor aproveitar da melhor forma, antes que acorde depressa...

(Set10)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Tempo

Há pessoas que me completam, muitas nem sabem disso e algumas delas, nem eu sei a sua verdadeira importância, só com o tempo o irei perceber. Sim, o tempo, o tempo é o nosso melhor professor. Com o tempo aprendemos a sorrir para a vida, aprendemos a gostar de viver, a dar valor às coisas, aprendemos quando é realmente altura de chorar e de nos arrependermos, com o tempo aprendemos a perdoar, a ouvir, a dar razão, a perceber, a rir, a brilhar, a crescer. É ao longo do tempo que vamos percebendo certas coisas que pensávamos nunca vir a entender, ou até coisas que já nem nos lembrávamos ter querido perceber. Às vezes gostávamos de voltar atrás no tempo para poder mudar o que está errado, mas é graças aos nossos erros, que aprendemos, e que somos o que somos hoje. Outras vezes queixamo-nos de que o tempo passa demasiado depressa e que não queremos envelhecer, mas vendo bem, envelhecer é uma lei da vida, todos envelhecem, todos já foram crianças e a mínima coisa que deveriam ter feito era ter aproveitado bem, para, um dia mais tarde, recordar com o maior orgulho essa fase da vida. A percepção da passagem rápida do tempo deve-se exactamente ao não querer que ele mesmo passe. Sim, porque quanto mais queremos que o tempo passe devagar, mais rápido ele passa. É estranho, ou não, mas é mesmo assim. Não tenho muito para falar em relação a experiência de vida e ao tempo que já passou, porque sou apenas uma mera adolescente que ainda tem muito para aprender acerca da vida e acerca de tudo, tal como disse, com o tempo.

(2009)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

"Original" VS "Artificial"

Penso que talvez não saibamos aproveitar o que está diariamente diante dos nossos olhos. Estamos constantemente em contacto com o "artificial" da vida, até porque talvez o "original" já esteja sem qualidade devido exactamente ao aproveitamento excessivo do "artificial".
Há coisas insuportáveis, há pessoas insuportáveis, há atitudes insuportáveis, há MANEIRAS DE PENSAR insuportáveis. Tudo se pode tornar insuportável quando ultrapassa os limites...
Já não há ninguém que saiba o que é viver sem um telemóvel, sem o computador, sem internet, sem qualquer tipo de aparelho útil que hoje em dia é uma coisa perfeitamente normal para qualquer um de nós. Não estou com isto a querer dizer que eu consigo, porque eu talvez até seja das pessoas mais agarradas ao telemóvel ou a qualquer outro tipo de tecnologia... Quero com isto dizer que talvez não saibamos aproveitar bem o essencial da vida, da natureza, do planeta, de qualquer tipo de coisas "originais" sem a interferência do "artificial". Se já foi possível viver sem isso, qual é razão de nos considerarmos actualmente incapazes de sobreviver com a ausência disso mesmo?
Ao dizer tudo isto, parece que estou a querer transmitir que sou uma amiga do ambiente, que não uso telemóvel por achar ridiculo, que não ligo à internet, que venero a natureza e os passarinhos a cantarular, etc, etc. Mas nada disso. Eu sou apenas mais uma pessoa no mundo que nasceu dentro da actualidade e que está inteiramente adaptada a tudo isto de agora e que sinceramente até me considero também incapaz de viver sem todo o "artificial" que me rodeia.
Talvez algum dia alguém abra os olhos e me compreenda, se é que não há já alguém.